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Nós Periféricos

Uma plataforma federal para que iniciativas das periferias encontrem editais, cursos e oportunidades, e uma busca que entrega o CEP oficial de favelas e comunidades a partir do nome do lugar onde a pessoa mora.

Papel
UX/UI Designer
Cliente
Secretaria Nacional de Periferias
Ano
2025
No ar
nosperifericos.cidades.gov.br
Celular na mão mostrando a tela inicial do Nós Periféricos, com saudação, aviso para completar o cadastro, destaque da Votação Popular e oportunidades

O desafio

A Secretaria Nacional de Periferias (SNP) mantém programas, editais, cursos e ações voltados a favelas e comunidades urbanas de todo o país, mas não existia um lugar único onde as iniciativas periféricas pudessem se cadastrar, encontrar o que se aplica à sua realidade e se conectar entre si.

A informação circulava por redes sociais, grupos de WhatsApp e contatos pessoais. Quem liderava uma iniciativa não tinha como conhecer outras que atuam na mesma temática, e a equipe da Secretaria dependia de processos manuais e do time de tecnologia para divulgar oportunidades e falar com as pessoas certas.

O Nós Periféricos nasceu para resolver isso: uma rede digital para ampliar o alcance das iniciativas, fortalecer comunidades periféricas e promover conexões entre pessoas e territórios, funcionando como um espaço vivo de interação, aprendizado e colaboração.

Objetivos

  • Criar uma plataforma amigável e acessível, onde as pessoas encontrem informações relevantes de forma centralizada.
  • Ser um espaço de troca de experiências e colaboração entre iniciativas e de capacitação para pessoas de comunidades periféricas.
  • Oferecer um ambiente educativo e inspirador, onde as iniciativas possam fortalecer sua atuação em diferentes áreas.
  • Dar autonomia à equipe da Secretaria para acessar e acompanhar as informações da rede, tornando o trabalho mais eficiente.

Personas

Para manter as pessoas usuárias no centro do projeto desde o início, criei uma persona que representa quem lidera uma iniciativa periférica. Ela ajudou a humanizar os dados e a deixar claro, para toda a equipe, para quem o sistema é feito.

Larissa Oliveira, responsável por iniciativa

Lidera uma iniciativa periférica e quer fortalecer sua atuação com informações relevantes para o território e com a divulgação da iniciativa em nível regional e nacional. Gasta tempo procurando conteúdos, perde editais e eventos por não saber que aconteceriam e tem colaboradores com vontade de ajudar, mas pouca capacitação.

Persona Larissa Oliveira, responsável por iniciativa, com citação, descrição, desafios e objetivos
Persona Larissa Oliveira.

Jornada do usuário

A jornada mostra o caminho que a Larissa percorria sem a plataforma, fase por fase: o que faz, o que pensa e sente, e as oportunidades que cada momento abre para a plataforma.

Larissa: encontrar iniciativas parecidas

Larissa quer organizar um evento e conhecer iniciativas que atuam na mesma temática, mas não sabe por onde começar a busca e não confia nas informações que encontra. Daí surgiram oportunidades como um catálogo de iniciativas, agrupamento por temática e região, perfis completos das iniciativas e espaços de discussão.

Jornada da Larissa em cinco fases, da decisão de organizar um evento à troca de experiências, com curva de emoções
Jornada da Larissa.

Arquitetura de informação

A navegação foi organizada em três partes. A barra superior reúne o que qualquer pessoa pode acessar sem cadastro, como o mapa interativo, a Busca CEP para TODOS e as páginas institucionais. O menu lateral concentra a área de quem está logado: iniciativas, oportunidades, cursos, mapeamento popular e contato. No rodapé do menu ficam o perfil e a saída da conta.

Mapa do site do Nós Periféricos: a página inicial se divide em barra superior (mapa interativo, sobre o Nós Periféricos, sobre a SNP, Busca CEP para TODOS), menu lateral da área logada (início, minhas iniciativas, mural de oportunidades, meus cursos, mapeamento popular, entre em contato) e conta (perfil, sair)
Mapa do site.

O que os dados de uso mostram

Com a plataforma no ar, os painéis de dados passaram a mostrar quem de fato se cadastra e onde a experiência perde pessoas. Separei os números que mais pesam nas decisões de design das próximas versões (dados de outubro de 2026).

55 milpessoas cadastradas desde o lançamento, com picos de mais de 30 mil cadastros numa única semana
12%dos cadastros estão completos; os campos que ficam vazios são justamente os da segunda etapa, como WhatsApp, município e data de nascimento
2%das pessoas cadastradas registraram uma iniciativa; a grande maioria chega como pessoa, buscando cursos e oportunidades
83%das pessoas cadastradas têm entre 25 e 59 anos
40%das iniciativas mapeadas são coletivos de pessoas físicas, sem CNPJ
57%das iniciativas apontam a burocracia para receber recursos como a principal dificuldade jurídica
50%das iniciativas funcionam com orçamento de até R$ 10 mil por ano
60%das iniciativas não têm ninguém dedicado à captação de recursos

O que isso pede do design

  • Cadastro que não para no meio. Quase nove em cada dez perfis ficam incompletos depois da primeira etapa. Pedir a localização logo no início, explicando que ela serve para mostrar oportunidades do território da pessoa, e lembrar do que falta no próprio painel tende a recuperar mais cadastros do que uma etapa extra.
  • A pessoa antes da iniciativa. Como quase todo mundo entra como pessoa, a página inicial precisa entregar cursos e oportunidades logo de cara, e o cadastro de iniciativa funciona melhor como um convite no momento certo do que como pré-requisito.
  • Linguagem para quem não tem assessoria. Iniciativas pequenas, informais e sem alguém dedicado a captar recursos esbarram em CNPJ, documentos e editais difíceis de entender. Filtrar oportunidades que aceitam grupos sem CNPJ e explicar cada edital em linguagem simples, com a lista de documentos necessários, atacam as maiores dificuldades citadas.
  • Experiência que se sustenta sozinha. Os cadastros chegam em ondas grandes. Com dezenas de milhares de pessoas entrando na mesma semana, cada tela precisa se explicar sem depender de suporte, e a maioria das pessoas cadastradas é adulta, com pouco tempo, o que reforça textos curtos e caminhos diretos.
Notebook com a tela de entrada do Nós Periféricos: cartão de login com e-mail, senha, opção de entrar com o Google e link para cadastro, sobre a foto de uma comunidade
A porta de entrada da plataforma: login com e-mail ou conta Google e acesso direto ao cadastro.

Busca CEP para Todos

O CEP para Todos é uma iniciativa da SNP com os Correios que leva endereço postal formal a favelas e comunidades urbanas do Brasil. Ter CEP muda coisas básicas: receber correspondência, comprovar residência, fazer compras on-line.

O desafio era que as pessoas não sabem o CEP novo, mas sabem o nome da comunidade onde moram. Por isso desenhei uma busca que começa pelo que a pessoa já conhece:

  • Filtro por estado e município, e depois pelo nome ou parte do nome da comunidade.
  • Os nomes seguem os registros oficiais do IBGE para Favelas e Comunidades Urbanas, e um aviso no topo explica isso para evitar buscas frustradas.
  • O CEP fica numa coluna destacada, com botão para copiar, porque o próximo passo da pessoa quase sempre é colar o CEP em outro lugar.
  • Quando não há resultado, a tela indica o WhatsApp da equipe em vez de terminar num beco sem saída.
Celular mostrando a Busca CEP para TODOS com os filtros de UF, município e comunidade urbana, sob o anúncio de 100% das favelas e comunidades urbanas com CEPNotebook com a Busca CEP para TODOS mostrando três comunidades de João Pessoa e seus CEPs na coluna destacada
A busca no celular e no computador.
Conheça a plataforma no arnosperifericos.cidades.gov.br