Nós Periféricos
Uma plataforma federal para que iniciativas das periferias encontrem editais, cursos e oportunidades, e uma busca que entrega o CEP oficial de favelas e comunidades a partir do nome do lugar onde a pessoa mora.

O desafio
A Secretaria Nacional de Periferias (SNP) mantém programas, editais, cursos e ações voltados a favelas e comunidades urbanas de todo o país, mas não existia um lugar único onde as iniciativas periféricas pudessem se cadastrar, encontrar o que se aplica à sua realidade e se conectar entre si.
A informação circulava por redes sociais, grupos de WhatsApp e contatos pessoais. Quem liderava uma iniciativa não tinha como conhecer outras que atuam na mesma temática, e a equipe da Secretaria dependia de processos manuais e do time de tecnologia para divulgar oportunidades e falar com as pessoas certas.
O Nós Periféricos nasceu para resolver isso: uma rede digital para ampliar o alcance das iniciativas, fortalecer comunidades periféricas e promover conexões entre pessoas e territórios, funcionando como um espaço vivo de interação, aprendizado e colaboração.
Objetivos
- Criar uma plataforma amigável e acessível, onde as pessoas encontrem informações relevantes de forma centralizada.
- Ser um espaço de troca de experiências e colaboração entre iniciativas e de capacitação para pessoas de comunidades periféricas.
- Oferecer um ambiente educativo e inspirador, onde as iniciativas possam fortalecer sua atuação em diferentes áreas.
- Dar autonomia à equipe da Secretaria para acessar e acompanhar as informações da rede, tornando o trabalho mais eficiente.
Personas
Para manter as pessoas usuárias no centro do projeto desde o início, criei uma persona que representa quem lidera uma iniciativa periférica. Ela ajudou a humanizar os dados e a deixar claro, para toda a equipe, para quem o sistema é feito.
Larissa Oliveira, responsável por iniciativa
Lidera uma iniciativa periférica e quer fortalecer sua atuação com informações relevantes para o território e com a divulgação da iniciativa em nível regional e nacional. Gasta tempo procurando conteúdos, perde editais e eventos por não saber que aconteceriam e tem colaboradores com vontade de ajudar, mas pouca capacitação.

Jornada do usuário
A jornada mostra o caminho que a Larissa percorria sem a plataforma, fase por fase: o que faz, o que pensa e sente, e as oportunidades que cada momento abre para a plataforma.
Larissa: encontrar iniciativas parecidas
Larissa quer organizar um evento e conhecer iniciativas que atuam na mesma temática, mas não sabe por onde começar a busca e não confia nas informações que encontra. Daí surgiram oportunidades como um catálogo de iniciativas, agrupamento por temática e região, perfis completos das iniciativas e espaços de discussão.

Arquitetura de informação
A navegação foi organizada em três partes. A barra superior reúne o que qualquer pessoa pode acessar sem cadastro, como o mapa interativo, a Busca CEP para TODOS e as páginas institucionais. O menu lateral concentra a área de quem está logado: iniciativas, oportunidades, cursos, mapeamento popular e contato. No rodapé do menu ficam o perfil e a saída da conta.

O que os dados de uso mostram
Com a plataforma no ar, os painéis de dados passaram a mostrar quem de fato se cadastra e onde a experiência perde pessoas. Separei os números que mais pesam nas decisões de design das próximas versões (dados de outubro de 2026).
O que isso pede do design
- Cadastro que não para no meio. Quase nove em cada dez perfis ficam incompletos depois da primeira etapa. Pedir a localização logo no início, explicando que ela serve para mostrar oportunidades do território da pessoa, e lembrar do que falta no próprio painel tende a recuperar mais cadastros do que uma etapa extra.
- A pessoa antes da iniciativa. Como quase todo mundo entra como pessoa, a página inicial precisa entregar cursos e oportunidades logo de cara, e o cadastro de iniciativa funciona melhor como um convite no momento certo do que como pré-requisito.
- Linguagem para quem não tem assessoria. Iniciativas pequenas, informais e sem alguém dedicado a captar recursos esbarram em CNPJ, documentos e editais difíceis de entender. Filtrar oportunidades que aceitam grupos sem CNPJ e explicar cada edital em linguagem simples, com a lista de documentos necessários, atacam as maiores dificuldades citadas.
- Experiência que se sustenta sozinha. Os cadastros chegam em ondas grandes. Com dezenas de milhares de pessoas entrando na mesma semana, cada tela precisa se explicar sem depender de suporte, e a maioria das pessoas cadastradas é adulta, com pouco tempo, o que reforça textos curtos e caminhos diretos.

Busca CEP para Todos
O CEP para Todos é uma iniciativa da SNP com os Correios que leva endereço postal formal a favelas e comunidades urbanas do Brasil. Ter CEP muda coisas básicas: receber correspondência, comprovar residência, fazer compras on-line.
O desafio era que as pessoas não sabem o CEP novo, mas sabem o nome da comunidade onde moram. Por isso desenhei uma busca que começa pelo que a pessoa já conhece:
- Filtro por estado e município, e depois pelo nome ou parte do nome da comunidade.
- Os nomes seguem os registros oficiais do IBGE para Favelas e Comunidades Urbanas, e um aviso no topo explica isso para evitar buscas frustradas.
- O CEP fica numa coluna destacada, com botão para copiar, porque o próximo passo da pessoa quase sempre é colar o CEP em outro lugar.
- Quando não há resultado, a tela indica o WhatsApp da equipe em vez de terminar num beco sem saída.

